21º CBCENF traz reflexões sobre a descriminalização do aborto e Saúde Coletiva

A criminalização do aborto no Brasil e na América Latina não tem contribuído para reduzir as ocorrências e afeta diretamente a assistência e a mortalidade materna, na avaliação de especialistas que participaram da mesa redonda “Criminalização do Aborto no Brasil: Um Problema de Saúde Pública em Debate”, durante o 21º CBCENF. O evento, coordenado pela comissão da Saúde da Mulher do Cofen, reuniu especialistas para ampliar o debate entre os profissionais e subsidiar reflexões. Maior profissão da área de Saúde, a Enfermagem está diretamente implicada na assistência à mulheres em situação de abortamento, seja espontâneo, seja provocado.
“Seguimos com um olhar penalizador”, destaca a professora colombiana Sônia Leon, que apresentou a trajetória da descriminalização do aborto na América Latina. Muitos países adotam a descriminalização parcial, em situações como risco de vida, incesto ou estupro, mas a assistência oferecida ainda é precária. Nos países onde o aborto foi legalizado, não houve um aumento da prática, mas uma acentuada redução da mortalidade associada ao abortamento inseguro.
“Esta sala lotada representa o interesse das enfermeiras na assistência, no cuidado e na vida das mulheres”, destacou a médica Maria do Espírito Santo Tavares, a Santinha.
Uma em cada cinco mulheres brasileiras até os 40 anos já realizou pelo menos um aborto, segundo dados da Pesquisa Nacional do Aborto, apresentada em vídeo pelo Anis – Instituto de Bioética. São mulheres religiosas, a maioria delas mães.
“É importante trazer uma perspectiva da Saúde Coletiva para temas polêmicos, e colocar em análise o trabalho da Enfermagem. Há uma necessidade urgente, internacional, de que a Enfermagem assuma um papel cada vez mais ativo na assistência à Saúde”, ressaltou o coordenador da Comissão de Saúde da Mulher, Herdy Alves, que destacou a importância da assistência segura.

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